1. Cinema Nerd: Redemoinho (2016)

    Rah

    Recém formada em Design, planeja trabalhar com moda. Viciada em Harry Potter, Star Wars e na Disney. Gosta de criar sobre mundos fantásticos nas horas vagas.

    Redemominho é o primeiro trabalho de José Luiz Villamarim como diretor de cinema, depois de ter se destacado na televisão com os seriados Nada Será Como Antes e Justiça, e conta com um elenco recheado de grandes nomes da TV e cinema brasileiros. Esse filme nacional se passa na pacata cidade de Cataguases, no interior de Minas Gerais, e mostra o reencontro de dois amigos de infância que não se viam a mais de 20 anos, e resolvem relembrar o passado e trazem atona lembranças que ambos preferiam deixar enterradas.

    Luzimar, personagem de Irandhir Santos, ficou a vida toda em Cataguases, nunca conheceu uma cidade grande, casou e é feliz trabalhando como supervisor na tecelagem local. Já Gildo (Julio Andrade) foi para São Paulo na primeira oportunidade que teve e de lá não voltou mais, arrumou emprego (que segundo ele paga muito bem), casou e teve duas filhas. Quando volta a cidade natal para passar os feriados de fim de ano com a mãe, Dona Marta (Cássia Kis), acaba encontrando Luzimar e embarca na chance de se gabar para o antigo companheiro de infância como a vida dele é muito melhor em São Paulo, como ele é mais bem sucedido e feliz que todos que ficaram na cidadezinha.

    Apesar da sinopse um tanto quanto misteriosa, mesmo que genérica, o filme não se preocupa em construir nenhum grande mistério e segue num passo lento arrastando o espectador por uma narrativa por muitas vezes enfadonha. A história demora muito para engatar e conseguir prender a atenção e quando você acha que ela vai finalmente pegar o embalo o filme acaba.

    O filme diz se tratar sobre um encontro que leva os dois personagens centrais a reavaliarem as suas vidas, mas essa não é a sensação que tive ao assistir. Pra mim o filme poderia muito bem se chamar “Uma Ode ao Frágil Ego Masculino” no lugar de Redemoinho, pois ele parece muito mais uma batalha entre Gildo e Luzimar para ver quem é o mais bem sucedido, quem mais macho, o mais feliz e o mais “homem”. Gildo é o típico machista machão que se acha bem demais até pra ir na cozinha pegar uma cerveja para si próprio (grita o tempo todo para a mãe fazer isso por ele), já Luzimar é o “bom moço” de interior que casou, é trabalhador e não faz nada de errado, mas por dentro é tão machista quanto o amigo.

    Enquanto esses dois personagens masculinos de personalidades tão desagradáveis são explorados incansavelmente, as personagens femininas do filme apenas servem de escada para eles, não tendo nenhuma importância real para o desenrolar da história. Se as cenas das personagens femininas fossem todas cortadas não faria quase diferença nenhuma no resultado final do filme.

    Porém muito pior do que sub-aproveitar as personagens femininas é usar um estupro como artifício de cena. Já perto do fim do filme uma das personagens é estuprada na própria casa, por um ex-amigo de infância de Gildo e Luzimar, sem necessidade nenhuma. Dá a impressão que o diretor apenas queria colocar uma cena de violência gratuita (talvez para remeter aos seus trabalhos na TV) apenas para chocar a audiência, pois essa cena não muda em nada o desfecho da história, nem chegando a ser comentada depois que acaba.

    A história e o modo como ela foi exposta em Redemoinho não me agradaram, na verdade chegaram a me incomodar bastante, mas preciso tirar o chapel para o filme na parte técnica. A direção de arte e fotografia dele é excelente, trazendo planos muito bonitos para a tela. Já o design de som pra mim é a verdadeira joia do filme. O som é parte fundamental nessa história e pra mim foi o aspecto mais bem trabalhado nela.

    Redemoinho chega aos cinemas hoje (09/02/2017) depois de já ter ganho os prêmios Especial do Júri Oficial e o de Melhor Ator para Julio Andrade no Festival do Rio 2016.

    Foto: Divulgação/ Walter Carvalho

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