1. Cinema Nerd: A Autópsia (2016)

    A Autópsia é o novo filme do diretor norueguês André Øvredal, que se tornou conhecido pelo longa Trollhunter (2010). O elenco conta com Emile Hirsch (Speed Racer), Brian Cox (O Julgamento de Nuremberg) e Michael McElhatton (Game of Thrones), além de apresentar a estreante Olwen Catherine Kelly como a Desconhecida.

    Na história, conhecemos os Tilden , pai e filho (Cox e Hirsch), donos de um necrotério e crematório que recebem da polícia um corpo encontrado em condições muito suspeitas. Seu objetivo é apenas descobrir a causa da morte, no entanto, durante o que deveria ser um procedimento de rotina, coisas estranhas começam a acontecer, até o ponto em que eles não podem mais negar o seu teor sobrenatural.

    O primeiro – e, infelizmente, talvez o único – elogio que preciso fazer ao filme é em relação à trilha sonora e edição de som. Um “gore sonoro” é a melhor definição para o que acontece nesses 80 minutos. O som dos legistas quebrando costelas com alicates, serrando crânios e rasgando tripas é mais incômodo do que qualquer coisa que vemos na tela.

    Além disso, o diretor trabalha de um modo a transformar os sons em verdadeiros personagens. O rádio quebrado, o funcionamento do elevador, o sino amarrado aos pés dos cadáveres... todos os elementos sonoros têm seu próprio momento de protagonismo e foram – na minha opinião – as melhores e mais memoráveis cenas do filme.

    No mais, A Autópsia – sinto dizer – é uma grande coletânea de mais do mesmo.

    Filmes de horror produzidos por estúdios menores (como O Convite, Babadook ou It Follows) têm sido boas surpresas nos últimos anos. Acho que por isso, eu entrei na sala para A Autópsia esperando ser surpreendida com um bom roteiro.

    E, entendam, não é que o roteiro não seja bom... ele apenas é medíocre no sentido mais pleno da palavra. Não há qualquer tipo de inovação na história ou no modo com ela é contada, de modo que fãs mais fiéis do gênero podem se antecipar em cada cena e saber exatamente o que vai acontecer. E quando você tira o elemento “surpresa” em um filme de jump scare... bem... é seguro dizer que mais da metade da graça desaparece.

    Filmes sobrenaturais jump scare normalmente seguem algumas etapas bem determinadas:

    • 1 – A cena inicial em que algo sombrio e suspeito ocorre
    • 2 – Seguida por uma cena leve e descontraída em que os protagonistas são apresentados para que o público possa se relacionar com eles
    • 3 – Os protagonistas são introduzidos ao algo estranho que vai ser o motivo da narrativa
    • 4 – O “algo estranho” se intensifica através de evidências ainda não confirmadas de que algo errado está acontecendo
    • 5 – Algo errado está acontecendo e agora é inquestionável.
    • 6 – Protagonistas fazem um plano. Ele dá errado.
    • 7 – Protagonistas tem um novo plano ou nova resolução de seguir plano anterior, causada por algum evento (normalmente a morte de alguém amado)
    • 8 – Execução do plano falha de forma completa ou parcial para que o filme possa...
    • 9 – Terminar com um gancho para continuação.

    A Autópsia segue TODAS essas etapas a risca, no formato mais padrão imaginável, de modo que é possível antecipar até quando o susto vai ser falso ou real, quando o plano não vai funcionar e por que. E mais que isso: há algumas cenas que são simplesmente repetitivas. Do tipo que você tem certeza que já viu em uns oito filmes diferentes.

    As atuações são coerentes, mas atores não podem fazer milagres. Com uma história simplória e diálogos nulos, não há muito que possa ser feito...

    Se você não é muito seletivo com roteiro de horror, gosta de bons sustos e não se incomoda com um pouco de gore, A Autópsia pode ser exatamente o que você precisa.

    Se, no entanto, você está cansado da mesmice do horror mainstream e prefere algo um pouco diferente... eu recomendo ficar longe desse filme.

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