1. Biblioteca Nerd: Pedra no Céu de Isaac Asimov

    Mirela Paes

    A louca do azul, escritora, blogueira, feminista e nerd com muito orgulho. As vezes deixa que seu lado trevoso fale mais alto, mas não larga seus pôneis de crinas ...

    Sinopse:

    "Qualquer planeta é a Terra para aqueles que nele vivem. O alfaiate aposentado Joseph Schwartz desfrutava de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, foi involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império. Publicado pela primeira vez em 1950, “Pedra no Céu” foi o romance de estreia de Isaac Asimov e é um marco do que se tornaria o Império de sua mais famosa obra, Fundação. Complemento fundamental às outras histórias do autor, este romance também serve como porta de entrada para apresentar o leitor ao universo de Asimov."

    Asimov dispensa apresentações. Já tive contato com algumas de suas obras, mas o que mais me chamou atenção em Pedra no Céu, que foi publicado por aqui ano passado pela Editora Aleph, foi a leveza de sua escrita.

    Acredito que por ser a sua primeira obra, ele testou temas e ambientes que depois viria a explorar em suas outras obras. A linguagem dele é sempre bem acessível ao leitor, permitindo mesmo que não gosta/não conhece de ficção cientifica possa se entrosar com facilidade. Não li a saga Fundação, mas este livro funciona como um prequel para ela.

    Outra coisa bem legal do livro - e do trabalho do autor - são os temas que ele aborda. O livro foi escrito tem mais de 50 anos, e apesar de ter o elemento fantástico, os temas são muito atuais. Imagine como vai estar o seu bairro, sua cidade daqui alguns anos. Não pense só na modernização, lembre do que vem acontecendo: estamos produzindo muito lixo, desmatando, acabando com a natureza... no lugar de aproveitarmos o que a tecnologia tem de bom, mais parece que estamos aptos para nos tornar cada vez mais indiferentes ao que acontece ao nosso redor. O futuro, pensando assim, parece bastante assustador, não é mesmo?

    Joseph Schwartz, um alfaiate aposentado é transportado para a terra no futuro e se vê perdido. Ele não consegue nem sequer se comunicar com quem ele acaba se encontrando. Pior que isso, ele se vê em um lugar totalmente estranho, degradado. Como poderia o seu lar ter se tornado em algo tão feio? A aflição do personagem dá o ritmo aos capítulos iniciais, que são de tirar o folego. Mas a partir do momento em que ele estabelece uma conexão com o mundo que vive, o ritmo vai se tornando mais leve, mas não menos provocativo: como podemos aceitar que nosso futuro seja tão ruim? Vamos mesmo usar a tecnologia como forma de regredir como humanos? Vamos conhecer outros planetas e raças e praticar os mesmos erros que já praticamos? Não vamos mesmo evoluir de verdade?

    Apesar de um começo promissor, confesso que achei o final meio bobo. Isso não quer dizer que o livro não seja bom. Acredito que inclusive, o livro é importante para a formação de um leitor, visto que o trabalho do autor é tão importante para o seu gênero, e pelas pautas relevantes que já trabalhava.

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